Carrapato

Biologia dos Carrapatos

Os ácaros são um grupo heterogêneo de aracnídeos que compreende desde espécies de vida livre e importantes para a regulação dos processos de decomposição da serapilheira de florestas como, inimigos naturais de outros ácaros e nematóides e, também, parasitos de plantas e, por último, vertebrados. Os carrapatos representam cerca de 870 espécies dentro da Ordem Acari que é a mais abundante dentre os Arachnida, com 50.000 espécies conhecidas até o presente. São os gigantes (> 10 mm) do grupo e compreendem três famílias reunidas na Subordem Ixodida. São ectoparasitos importantes para a saúde pública e animal, porque podem causar injúrias diretas e indiretas a seus hospedeiros, além da transmissão de agentes patogênicos. As famílias Ixodidae e Argasidae distribuem-se em todos os continentes e compreendem, respectivamente, os carrapatos popularmente conhecidos como carrapatos duros, com aproximadamente 680 espécies descritas e os carrapatos moles, com 183 espécies. Na região Neotropical ocorrem 80 espécies de Argasidae e 120 de Ixodidae.

Características dos carrapatos

Os carrapatos possuem o corpo em uma só peça que possui duas regiões principais, o gnatossoma (ou capítulo), região anterior com as quelíceras e pedipalpos e o idiossoma, região posterior com todos os apêndices locomotores e sistemas com suas aberturas respiratória, anal e genital. Ventralmente o capítulo apresenta o hipostômio que é a fusão das bases das coxas, e que funciona como órgão de fixação no hospedeiro. O hipostômio com espinhos recurvos, a posição das aberturas respiratórias após a base da quarta perna, a presença do órgão de Häller (termorreceptor) nos tarsos das primeiras pernas e a hematofagia em pelo menos um estágio pós-embrionário, caracterizam os carrapatos.

Habitat dos Carrapatos

Os argasídeos habitam ambientes restritos durante sua vida. Seu habitat, a saber, pocilgas, galinheiros, pombais ou cabanas rústicas, estão intimamente associados ao do homem e dos animais domésticos. Ocorrem também em locais remotos, longe das habitações humanas, tais como solo solto, cascas de árvores, tocas de animais, cavernas e ninhos de aves silvestres e marinhas. Aqueles que habitam ninhos vivem em micro-habitats relativamente estáveis, alimentando-se e reproduzindo-se continuamente durante o ano. Em argasídeos e ixodídeos que habitam ninhos, o desenvolvimento pode ser adaptado sazonalmente, podendo uma geração levar um ano ou mais, em climas temperados.