Dengue

Biologia da Dengue>/h3>

Atualmente, a dengue é a mais importante doença transmitida por vetores nas Américas. É uma ameaça à saúde de milhões de pessoas que vivem em áreas urbanas, onde vive o seu vetor biológico, que é o mosquito Aedes aegypti. Assim, não é possível transmitir dengue por contato físico, secreções, alimentos ou qualquer outra forma além da picada do mosquito Aedes aegypti.

A complexa relação entre as variáveis climáticas, abundância do mosquito, densidade de hospedeiros humanos e sorotipos virais definem a heterogeneidade da transmissão da doença.

O vetor Aedes aegypti se reproduz quando as fêmeas colocam ovos na parede de recipientes artificiais e reservatórios pequenos e as larvas eclodem em contato com a água. Quando a fêmea do mosquito está infectada, seus ovos podem conter larvas que já carregam o vírus da dengue e, assim, gerar mosquitos capazes de continuar a transmissão da doença para a população.

Para que o processo de reprodução ocorra, é necessário o amadurecimento dos ovários das fêmeas, que se dá quando estas conseguem uma alimentação sanguínea. Depois de fertilizadas pelos machos, fazem a postura de ovos e são necessários, em média, sete dias após a fêmea colocar os ovos, para o desenvolvimento das larvas. Este tempo pode variar de acordo com fatores como temperatura e quantidade de matéria orgânica disponível na água que está em contato com a larva.

Quando os ovos não entram em contato com a água parada para que as larvas eclodam, estes permanecem embrionados e sem eclodir nos recipientes onde foram colocados mesmo quando são transportados, como no caso de pneus. Nessa forma latente, podem ficar várias semanas e assim viajar na forma de uma dispersão passiva, feita pelo homem.

Aedes Aegypti


O Aedes aegypti é um inseto urbano e a fêmea se alimenta essencialmente de sangue humano. As fêmeas se tornam infectadas quando se alimentam de sangue de um hospedeiro humano infectado. É de fácil identificação, pois é escuro, possui faixas brancas e no torso apresenta um desenho em forma de lira. As larvas de mosquitos são de fácil identificação: sob um foco de luz, como uma lanterna, é possível observá-las se movendo rapidamente para se abrigar no fundo do recipiente. Para uma confirmação da espécie, como sendo Aedes aegypti (ou Aedes albopictus, que freqüentam os mesmos criadouros), é necessário fixa-las entre lâmina e lamínula e verificar em uma lupa estereoscópica ou microscópio no aumento de 30 a 50 vezes.

A dengue é considerada uma doença tropical, pois o vetor se desenvolve mais eficientemente em regiões com alta pluviosidade, altas temperaturas e umidade. Estes fatores definem o nicho do mosquito fazendo com que este seja encontrado tipicamente na faixa tropical do planeta. Seu nome científico é homenagem à sua região de origem, cuja tradução significa “Indesejável do Egito”.

Por ser tipicamente tropical, o Aedes aegypti é extremamente sensível às condições meteorológicas e às variações sazonais, o que afeta sua distribuição e abundância durante as estações chuvosas e quentes do ano.

As mudanças climáticas derivadas do aquecimento global têm causado preocupação por se entender que podem aumentar as condições de reprodução do mosquito em áreas que não apresentavam estas condições anteriormente, como regiões temperadas. No entanto, no mundo todo a dengue tem causado epidemias maiores ou menores, principalmente em função dos cuidados que a sociedade e as autoridades têm com a saúde pública do que pelas condições climáticas.